terça-feira, 29 de março de 2011

História do município de Sorriso - MT

Sorriso em 1979
    A colonização da década de 70 tendo como primeiro morador Otávio de Souza Cruz. E aos poucos, foram chegando outras pessoas, a maioria agricultores do sul do país atraídos pela oferta de terras e melhores condições de financiamentos da produção.
    Nesta época, Sorriso era somente um  território desocupado na região norte do Estado.
Foi nessa época, que o catarinense Claudino Francio adquiriu um território imenso na região do Mato Grosso.
    Em 1975, Claudino Francio dedicou-se à colonização da cidade. A primeira casa construída pela Construtora Feliz foi a do irmão do Claudino Francio, em 16 de agosto de 1975.
    Já com o nome escolhido Sorriso queria dizer, nos primeiros tempos de ocupação, um novo empreendimento, de futuro feliz, com bases numa natureza rica e de vitória para as terras, aliada a um bom clima e uma terra que tudo que planta nasce, constituía um atrativo irresistível aos que passavam pela região. Já versão oficial é que o termo Sorriso foi dado por todos que gostavam do lugar e ali residiam. Mais precisamente por um grupo de pioneiros que, assentados à beira do Rio Lira, conversavam entre si. Concluíram que, mesmo diante de tanto trabalho a realizar, ter sempre um sorriso nos lábios, seria um grande incentivo à permanência na luta do dia a dia. Seria então Sorriso o nome ideal para aquela terra, pois transmitia alegria, inspirava otimismo e confiança. A maioria dos colonizadores era de origem italiana. E viviam em forma de entre-ajuda, em estreita comunidade. Também se formou uma pilhéria italiana. Diante dos primeiros plantios, o italiano dizia; "oh... só rizzo", pois arroz em italiano se diz rizzo, esta "estória" me foi contada pelo próprio Claudino Francio em 1992.
    A abertura da BR 163 garantiu o desenvolvimento da região. A partir deste impulso, lideranças locais conseguiram do governador Frederico Campos, em 26 de dezembro de 1980 a elevação de Sorriso, para Distrito de Nobres (Lei Municipal nº 4728). Foi o primeiro passo para a emancipação do atual município.
    Em 13 de maio de 1986, foi sancionada a lei de nº 5002, que elevou Sorriso a categoria de município. Para administrar o  município o Sr. Ildo Antonelli, assumiu a administração pública até 31 de dezembro de 1986.
Sorriso em 2001
    “A história de uma cidade é a soma das experiências de vida de cada um dos seus habitantes”.






Fonte: Arquivos públicos de Sorriso.

História do município de Lucas do Rio Verde - MT




História de Lucas do Rio Verde


    
    Fruto da política de integração nacional do governo militar, a obra de abertura da rodovia BR-163, pelo 9º BEC (Batalhão de Engenharia e Construção), ligando Cuiabá a Santarém (PA), na segunda metade da década de 70, mobilizou os primeiros colonizadores para esta região de cerrado situada no Médio-Norte de Mato Grosso e distante 350 quilômetros da Capital. Apesar da região ser considerada vazia ela era ocupada por diversas populações indígenas. Muitas dizimadas durante a construção da rodovia.
No entanto, foi somente a partir 1981, quando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) começou a implantação do projeto de assentamento de 203 famílias de agricultores sem-terra vindos do interior do município de Ronda Alta (RS), que se formou a comunidade que deu origem a Lucas do Rio Verde.
Na época, outros 85 posseiros que já habitavam o local e mais 50 colonos provenientes do interior de São Paulo também foram assentados nos lotes que dividiram uma gleba de 197.991 hectares. O dia 05 de agosto de 1982 passou a ser comemorado como a data de fundação da agrovila, então pertencente ao município de Diamantino.
Em 17 de março de 1986, o núcleo urbano foi elevado à condição de Distrito e no dia 04 de julho de 1988, quando conquistou sua emancipação político-administrativa, já contava com 5.500 habitantes. Atualmente, poucas famílias dos assentados de Ronda Alta ainda continuam de posse de suas terras. Pressionadas pelas inúmeras dificuldades daquele período, muitas delas desistiram de seus sonhos e outras perderam terreno para a agricultura extensiva que começava a ocupar a vastidão do cerrado.
Três décadas depois da instalação do acampamento do 9º BEC, às margens do Rio Verde, esta moderna, potente e dinâmica cidade cujo nome rende uma homenagem a Francisco Lucas, um seringalista pioneiro, e ao belo e caudaloso curso de água límpida tão importante para a comunidade, daquele vilarejo onde tudo era difícil e precário.
Hoje, os cerca de 35 mil habitantes têm um enorme orgulho de viver nesta sociedade que em tão pouco tempo se tornou um pólo de desenvolvimento do Estado e ainda ficou conhecida por estar entre aquelas com melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, conforme relatório da Organização das Nações Unidas (ONU).




Fonte: Prefeitura Municipal

segunda-feira, 14 de março de 2011

Religião no Mato Grosso

A Igreja Católica viveu 170 anos no regime do Padroado (1719-1889). A concessão de poderes eclesiásticos ao poder civil assegurou à Igreja Católica o lugar de única religião oficial do Estado. No entanto, o governo civil, já na abertura da História de Mato Grosso, deixou de cumprir os deveres eclesiásticos a ele confiados e logo a seguir, com Marquês de Pombal, rumou decididamente para dominar a Igreja Católica, distanciando-se do governo do Papa. No Império de Dom Pedro II, chegou a beirar o cisma. Tornou-se célebre o ato da Câmara de destituir, em 1830, o Pe. Frei José Maria de Macerata, por ser estrangeiro, depois de ter sido indicado pelo próprio Imperador para primeiro Bispo da Diocese de Cuiabá.
A vida civil penetrou no íntimo da hierarquia, tornando, por muitos anos, quase ineficaz a evangelização por parte do clero diocesano. O clero religioso era, então, extremamente reduzido. O Bispo era chamado a desempenhar papel burocrático civil, na ausência do Governador.
Os jesuítas, ficaram apenas 8 anos em Sant´Ana da da Chapada dos Guimarães e em Vila Bela da Santíssima Trindade, sendo expulsos por fracassarem nas missões.
Cuiabá ficou 145 anos (1745 a 1910) sendo a única diocese e por meio século (1722 a 1779) foi a única paróquia. Até que foi construída a paróquia de São Luís de Cáceres. Esse exemplo sinaliza a pobreza de vida religiosa matogrossense.
Dom Carlos Luís D’Amour (2o Bispo Diocesano de Cuiabá) realizou uma visita pastoral às paróquias do Mato Grosso em três etapas: uma em 1883, outra em 1885 e por fim, em 1898. As três etapas somaram um ano inteiro de viagem. Não consta que houvesse visita pastoral tão longa e demorada.
No entanto, Dom José Antônio dos Reis, o primeiro bispo da Diocese de Cuiabá, conseguiu ter um clero de renome. Introduziram, pela primeira vez na história de Mato Grosso, as orientações do Concílio de Trento, pastoreando de 1833 a 1876. Assim mesmo agiu um tanto timidamente, fiel observante das orientações do governo civil. Além dos 32 padres, 2 diáconos e 3 subdiáconos, teve no seminário 32 aspirantes.
No fim do episcopado de Dom José Antônio dos Reis, em 1872, o Pároco de Diamantino Pe. Domingos Tanganelli, árduo defensor dos negros, testemunhou com sangue seu apostolado, sendo morto a tiro dentro da própria Igreja matriz ficando esta por 50 anos sem padres residentes.
Os esforços posteriores de Dom Carlos Luiz D’Amour para ter mais padres foram abortados devido ao ambiente permissivo generalizado da sociedade. Os bispos posteriores se esforçaram por ter êxito com o Seminário. No entanto, o clero foi bem reduzido entre os matogrossenses natos. Assim acontece até hoje, sendo as vocações encontradas preponderantemente entre os migrantes.
Lugar notável na história católica de Mato Grosso teve o povo simples. Quase sem evangelização, entendia que bastava ser batizado, crismado, ter os santos em casa e festar. O povo estruturou uma forte tradição religiosa distanciada dos poucos padres, com rezas e cantorias até em latim. Ainda hoje, no sul do Estado, o povo mantém essa tradição vinda do tempo do Padroado.
A República, pelo Decreto 119-A, de 7 de janeiro de 1890, cancelou a concessão do Padroado, não adotando nenhuma religião como oficial, mas respeitando todas. A Igreja Católica, se por um lado perdeu o amparo legal, deixando de ser a religião oficial do Estado, por outro, ganhou a liberdade para se organizar.
Um incremento notável da vida religiosa em Mato Grosso ocorreu com a vinda de religiosos ao Brasil, agora facilitada pela queda do regime civil-religioso do Padroado. Os primeiros a chegar a Cuiabá foram os salesianos, no dia 8 de junho de 1894 e as Filhas de Maria Auxiliadora (salesianas), no dia 9 de abril de 1895. No dia 26 de outubro de 1904 aportaram em Cuiabá os Padres Terciários Franciscanos, juntamente com as Irmãs da Imaculada Conceição (Irmãs Azuis).
O Papa passou a criar limitações eclesiásticas, atendendo mais adequadamente o povo. A onde permaneciam missionárias criou-se a Dioceses em formação, para, a seu tempo, se tornarem sedes plenas.
Dom Francisco de Aquino Corrêa foi chamado a fim de pacificar os problemas do governo estadual, a pedido consensual dos próprios partidos políticos. Estando o Estado de Mato Grosso então sob intervenção federal, Dom Aquino assumiu a Presidência do Estado, pacificou os ânimos e usou a influência social para uma liderança sem precedentes da Igreja Católica na sociedade. Foi o último personagem da Igreja Católica a se projetar na sociedade a título de liderança pessoal. A partir do falecimento de Dom Aquino, a Igreja Católica influi na sociedade não tanto por carisma pessoal dos bispos, mas como organismo, como sociedade religiosa.
Após o estabelecimento da República, o clero religioso assumiu a liderança missionária entre os povos indígenas, salvando etnias        indígenas da extinção e mesmo propiciando o desenvolvimento delas. Os padres salesianos Fucs e Sacilotti, em 1934 morreram trucidados por índios Xavantes, quando penetravam o território daquela etnias. Outros salesianos estruturaram a catequese e defenderam os povos indígenas, salvaguardando territórios como Sangradouro, Merure e São Marcos. Foi notória, também, a presença dos jesuítas (1930) e das Irmãzinhas da Imaculada (1940) em Diamantino e outros pontos do Estado.
A Igreja Católica primou por estar do lado dos doentes. A Diocese de São Luís de Cáceres e as Prelazias e depois Dioceses de Chapada (dos Guimarães), depois Rondonópolis e Guiratinga fundaram hospitais regionalmente famosos. Igualmente a Igreja Católica primou pela educação esmerada da juventude em colégios de renome em cada uma das Dioceses e Prelazias.
Desenvolveu atividades fortes sociais nas décadas de 1960 e 1970, cabendo inicialmente ao Plano de Emergência da Conferência Nacional dos Bispos o primeiro impulso. Merece destaque o Movimento de Educação de Base (MEB), utilizando o Rádio Bom Jesus.
Uma vez estabelecida a Frente Agrícola, padres e leigos deram testemunho de sangue pelo martírio da caridade e da justiça: Henrique Trindade, em Alto Paraguai; um negro de nome Joaquim, da comunidade de Santo Antônio do Pedregal, em Cuiabá; Pe. João Bosco Penido Burnier, em Ribeirão Bonito; Pe. Ezequiel Ramim, em Juína; Pe. Rodolfo Lunkenbein e o índio boróro Simão, na própria terra indígena Boróro; Irmão Vicente Cañas, no rio Juruena. O Pe. Balduíno Loebens foi espancado por policiais, em Juína. O próprio Bispo, Dom Pedro Casaldáliga da Prelazia de São Félix do Araguaia foi visado pelo regime militar, escapando por pouco de deportação. A Prelazia de Diamantino, frente à situação de injustiça organizada e prepotente, constituiu advogados, não perdendo nenhuma causa de posseiros.
A par da implantação das colonizadoras, foram chegando, em ondas, sacerdotes, religiosos, e leigos líderes de comunidades. No norte, a migração de povo católico estabelece a forma e modelo de igreja dos estilos dos lugares de origem – estilo sulino. No sul do Estado, os novos migrantes dialogam com os matogrossenses natos. Na década de 1970 e 1980, a Igreja torna-se muito marcante através das CEBs e das pastorais sociais específicas.
Atualmente, irrompe-se uma modificação profunda na estrutura da cidade, alterando o relacionamento entre Igreja Católica e sociedade civil. A proliferação de religiões e filosofias testa a capacidade de união dos católicos. Mudanças rápidas de situações convergentes econômicas, políticas, culturais, ainda não bem descritas, transformam a cidade. A sociedade urbana de hoje mostra-se secularizada, individualizada, exclusivista, de utopia, objetivando centralizar os valores na pessoa humana, relativizando o relacionamento com Deus. A Igreja Católica, mais que confrontar-se com outras religiões, necessita definir-se como conjunto, buscar sua nova identidade frente ao pensamento pós-moderno.